Todo ano a revista norte-americana Time elege “A Personalidade do Ano”. Em 2010 tivemos Mark Zucherberg que passou de um mero estudante universitário para o bilionário mais jovem do mundo, criando a maior rede social do mundo – o Facebook. Neste ano de 2011, foi eleito O Manifestante – uma menção mais abrangente. “Da primavera árabe, à Atenas, chegando aos integrantes do Occupy Wall Street.”
Vi muitos comentários de apoio dizendo que a escolha foi muito merecida. Talvez até tenha sido. Eu não acredito mas, porque não? A escolha alternativa era o gênio, recém falecido, Steve Jobs. Isso seria muito mais merecido, pois se trata de uma personalidade que mudou a maneira como nós olhamos o mundo. Os manifestantes não.
Como diria qualquer poeta, a maior revolução possível é a que fazemos internamente. Steve Jobs fez. Ignorou diversos obstáculos que poderiam ser vitais para qualquer pessoa comum. Pessoas comuns lutam por ideais. Personalidades fabricam sua própria realidade. O que culminou na realidade distorcida (e fantástica)de Jobs, expressa em seus diversos discursos.
Eu não acredito na revista Time. Eu sabia que eles iriam ser seguros e agradar a todos. É isso que a revista faz. A visão de personalidade deve ser melhor analisada. Basta dar uma olhada em outras personalidades do ano eleitas pela mesma revista.
1938, Adolf Hitler. Na época o líder da Alemanha vinha há quatro anos fazendo reformas que beneficiaram a economia local e estabilizavam o conturbado território germânico. Em 1938, começava a implementar políticas racistas. Como o confisco dos bens de judeus. Milhares de famílias foram obrigadas a fugir da sua própria pátria. Já nessa época começava a articular manobras militares e políticas para o anexo de países formando o ‘espaço vital Ariano’. Tudo isso perseguindo um ideal. Todos sabemos como isso se desenvolveu.
1939 e 1942, Joseph Stalin. Já era tarde. A eleição do ano passado não tinha pegado bem para a revista. Embora Hitler vinha se tornando um homem influente no mundo, não se parou para medir as consequências. Em meio aos escândalos militares e o anúncio de invasão da Polonia, a Time resolveu contra-atacar. Quem melhor para parar Hitler do que seu maior inimigo, Stalin. Líder da União Soviética e que prometia colocar um fim na ameaça Nazista. Os editores não se preocuparam em checar as atrocidades já cometidas que resultaram na morte de mais de 7 milhões de Ucranianos em um só inverno. Ou em todas os crimes que o Comunismo Russo cometeu ao longo da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, ao longo de todos os anos de regime Stalinista. Mais um fanático que perseguia ideais.
1979, Ayatollah Khomeini. Este foi o individuo que livrou-nos do maléfico ditador Xá Mohammad Reza Pahlevi (E eu digo isso sem nenhum pingo de sarcasmo) e liderou a Revolução Iraniana. Ou melhor uma revolução que liberou o povo iraniano e, logo, os prendeu a um estado Muçulmano. Vieram as leis absurdas que pregavam o ódio ao modo de vida ocidental. Como o apedrejamento de mulheres, assassinato de homossexuais… e por aí vai. Claro, na época ele foi muito influente. Mas a que preço isso causou no futuro? Lembrando que ele seguia os ideais de um livro com mais de 1500 anos de idade. E que francamente eu não vejo nada de bom lá.
Por isso que eu digo. Eu não acredito na revista Time. Não faço questão de confiar no julgamento dela. Nem sequer de fazer qualquer elogio as suas decisões. Talvez o Facebook de Zucherberg nos obrigue a atirar pedras em quem nos convida para jogar Farmville. Ou não. Por isso eu digo, quem foi realmente a personalidade do ano. Talvez tenha sido alguém próximo a você. Ou alguém distante que você realmente conhece e admira. Os manifestantes de 2011 foram importantes agora. Na verdade nem tanto, mas valeu a luta. Lutar por algo em que se acredita é sempre bom. Construir uma realidade algo é muito mais difícil.



