Tarso e as (In)Definições do Rio Grande

Tarso está disposto a criar o ‘governo do diálogo’ dando voz a oposição que se encontra desmembrada e com problemas internos.

O PT definiu a candidatura de Tarso Genro faltando  um ano e 3 meses para a eleição, muito mais do que o habitual dos outros candidatos. O partido permaneceu coeso em torno da campanha do ex-ministro do governo Lula e ex-prefeito de Porto Alegre. Estavam decididos a fazer uma campanha positiva, mostrando as propostas que foram claramente expostas durante o período eleitoral. Isso contrapôs a imagem das críticas sistemáticas ao governo Yeda. Esta estratégia funcionou bem com o público e assim foram vistos como sérios, competentes, prontos para retomar o governo do estado depois do fracasso de Olívio Dutra em 1998.

Tarso vence as eleições

Governador eleito pretende mudar o modelo de investimento do Estado

Com 54,35% dos votos válidos, o estado característico em seu dilema “PT x Anti-PT” escolheu a primeira opção e renovou seu espírito de mudança. Tarso Genro assume no lugar de Yeda Crusius, que protagonizou um governo caótico em sua comunicação e estratégia política. Vários escândalos e supostas denuncias de corrupção desgastaram a imagem da governadora, que liderou o estado em sua recuperação nas contas públicas. Essa retomada econômica resultou em  baixíssimos níveis de investimento em infra-estrutura e os gastos em setores importantes como educação e saúde foram reduzidos. Em contrapartida o PT chegou com o discurso de crescer no ritmo do Brasil, propondo uma grande elevação nos investimentos para arrecadar mais.

A eleição não teve apenas o conflito PT x PSDB, pois a governadora ficou apenas em terceiro lugar. O PMDB, que sempre foi a grande oposição ao petismo no Rio Grande do Sul, ficou em segundo com candidatura de José Fogaça, ex-prefeito de Porto Alegre, com 24,73%. A forte e decidida campanha de Tarso Genro encontrou uma oposição mal articulada, bagunçada e indecisa. O PMDB foi vítima da sua dicotomia de idéias. Em nível federal Michel Temer, líder tradicional do partido, é vice da candidata petista Dilma Rousseff. No estado continuaram sua tradição antipetista, sua tentativa foi em vão. A decisão de postular José Fogaça para governador e Germano Rigotto como senador foi atrasada, lenta e com falta de organização e decisão em um módulo de administração. “A própria candidatura do Fogaça ficou prisioneira desse dilema.“ disse Osmar Terra ex-secretário da Saúde do atual governo. Isso provocou que nenhum dos dois candidatos foi eleito e sua representação na câmara gaúcha foi baixa, com 8 representantes, quanto a bancada petista teve 14.

Essa vitória é emblemática. O povo parece estar certo da sua decisão pois o PT também fez o maior número de cadeiras na câmara estadual, com 8 cadeiras próprias mais as dos aliados. O sul mais uma vez cumpre sua função tradicionalista. Mas dessa vez largou o chimarrão e demonstrou sua decisão nas urnas. O estado nunca elegeu um governador no primeiro turno e nunca os reelege. Assim os políticos eleitos são prisioneiros de um mandato curto demais para colocar em prática todas suas propostas. Dessa forma são condenados sem dó pelos eleitores nos próximos pleitos. Tarso Genro já sabe dessa característica e se mostrou tranqüilo diante da pressão de ter seu destino, possivelmente, traçado. Basta fazer algo novo na política e cumprir o que se tanto espera de seu governo e poderá mudar isso. Mas isso já é assunto pra daqui a 4 anos.

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