A proposta 19 será levada a votação no plebiscito californiano, agora dia 2 de novembro. Esmiuçando essa primeira linha confusa, a proposta 19 traz uma série leis para controle, regulação e aplicação de impostos no comércio de maconha. Opiniões, emendas e novas propostas estão sendo discutidas na mídia norte-americana que tenta compreender este fenômeno, já que as pesquisas estão consolidando a vitória da “dezenove”.
As comparações pelos liberais gaúchos só não é maior por falta de informação dessa medida. As tentativas de comparações do Brasil, ou somente do estado do Rio Grande do Sul com Amsterdam são constantes. Os ativos dessa causa alegam com entusiasmo a necessidade do uso medicinal da droga, sendo apenas uma desculpa, um engodo, para o início da aceitação geral da população. Aliás, o uso medicinal nos leva a crer que a cannabis (nome científico da erva) tem, de fato, algum poder de cura. Há apenas alguns estudos inconclusivos que poderia aliviar o glaucoma (perda de células na região do nervo óptico que podem causar cegueira e outros problemas). Partindo dos mesmos estudos sem peso científico, o uso do cigarro pode diminuir os efeitos do Parkinson. Sendo assim, não interessa.
Essa tática de reivindicar o uso, falsamente, medicinal foi a mesma adotada no estado da Califórnia. Hoje em dia, existem lojas que vendem sob prescrição médica. Sob o preceito de aliviar dores de pacientes terminais, ou que são colocados sob forte pressão de tratamentos. Justificativa plausível. Mas não suficiente para interessados o seu uso recreativo. Uso recreativo, isso sim está para entrar em vigor em um estado grande e importante num país igualmente grande e importante. Na Califórnia são mais de 37 milhões de habitantes. Se o estado fosse um país independente, estaria entre os 10 países mais ricos e desenvolvidos do mundo. A produção acadêmica, industrial e cultural é intensa. Todos elementos que formam um estado sólido e progressivo.
Talvez a liberação de drogas leves seja conseqüência desse avanço. Talvez. E não há nada errado nisso. A comparação com a Califórnia agora será intensa. Mudaremos o foco da Holanda para a o estado americano do oeste. Tudo parte da globalização. Agora o foco também será distorcido e manipulado para acharmos semelhanças entre a nossa realidade e a deles, para que os ativos consigam influenciar o público e justificar o uso da droga em praças de Porto Alegre ao som de Buffalo Soldier.
O que devemos observar é que não somos em nada parecidos com eles. Talvez um dia. Talvez. É um exemplo descabido colocarmos essa legalização como foco de campanhas sociais e políticas na frente da melhoria do ensino, construção de um sistema eficiente de saúde pública. Uns dirão que estou menosprezando a nossa nação quando estou apenas sendo realista. Num país em que a luta com o tráfico de drogas e a violência é constante e que toda distribuição da erva está na mãos de bandidos, legalizar assim, sem mais nem menos beira o absurdo. A marcha da maconha, manifestação realizada todo ano em diversas capitais do Brasil, propõe isso. Aliás não propõe nada. São ideias jogadas ao vento, sem embasamento na realidade local. Apenas gritadas de um modo empolgante sem apresentar qualquer versão tupiniquim da 19 norte-americana.
